O PERIGOSO CAMINHO EM DIREÇÃO AO DESPERTAR – Parte VII

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por Bernhard Guenther

SINCERIDADE E AUTO HONESTIDADE RADICAL

A parte mais importante no processo de trabalhar para o Despertar é a auto honestidade, sermos sinceros conosco mesmos. Como mencionado no início deste ensaio, mentiras para o eu são os mais prejudiciais e maiores obstáculos no autotrabalho esotérico e também o mais difícil de detectar.

À medida que ganhamos níveis mais elevados de consciência e conscientização, percebemos a responsabilidade que temos, o que “despertar” realmente significa e quão desafiante é realmente a liberdade verdadeira, pois ela implica abandonar o controle (a ilusão /limitação da vontade pessoal), percebendo que não podemos culpar alguém nem nada.

“O perdão é o movimento mais fundamental para a integração da luz e da sombra interior. Sem ele, encalhamos no pântano do juízo e da negação. É o fundamento da jornada xamânica que exige que mergulhemos nas águas da renovação perpétua. 

O perdão xamânico instiga uma dinâmica que emprega não só as emoções e o intelecto, mas chega ao próprio manancial do comportamento – o DNA – estabelecendo novos caminhos neurais e alterando o equilíbrio químico dentro do cérebro humano.

Desta forma, o campo eletromagnético, em seguida, mantém um sistema de apoio ressonante para o perdão, criando um diálogo interno de compaixão. Quando perdoamos, abraçamos absolutamente nossa capacidade de resposta dentro da interconexão de toda a criação. 

A porta de entrada para o caminho que conduz à transmutação do ciclo vida-morte-renascimento é aberta através do perdão, e é o derramamento da primeira camada de mortalidade, iniciando a jornada da vitimização para a criatividade “. – Juliet Carter

Quanto mais sinceros estivermos neste processo, mais detectaremos as armadilhas em que podemos nos apanhar, e quanto mais predominante torna-se a nossa Voz Interior (Espírito) à medida que cada vez mais “chega” a nós.

Quanto mais sinceros somos neste processo, menos poderemos fingir a nós mesmos – e ao mundo exterior (e aos outros) – ser alguém que “não somos”. Essencialmente, se trata de sair do esconderijo, dissolvendo os tampões e máscaras que encobrem o verdadeiro “eu”.

“Tenho encontrado ao longo dos anos, trabalhando com pessoas, as que tiveram despertares muito intensos e profundos, e a maioria delas tem medo de ser verdadeira, de ser realmente honesta – não só com os outros, mas com elas mesmas também. Naturalmente, o núcleo deste medo é que a maioria das pessoas sabe intuitivamente que, se elas forem realmente totalmente verdadeiras e totalmente sinceras e honestas, elas não seriam mais capazes de controlar ninguém.

Não podemos controlar alguém com quem temos sido sinceros. 
Só podemos controlar as pessoas se dizemos meias verdades, se aparamos o que é verdadeiro. 
Quando dizemos a verdade total, nosso interior está exteriorizado. Não há mais nada escondido. 

Para a maioria dos seres humanos, expor-se traz um medo incrível. A maioria das pessoas pensa: “Meu Deus, se alguém pudesse olhar dentro de mim, se alguém pudesse ver o que está acontecendo ali, quais são meus medos, quais são minhas dúvidas, quais são minhas verdades, o que eu realmente percebo, ficaria horrorizado “.

A maioria das pessoas está se protegendo. Elas estão segurando um monte de coisas. Elas não estão vivendo vidas honestas, verdadeiras e sinceras, porque se elas fossem fazê-lo, elas não teriam controle. Claro, elas não têm controle de qualquer maneira, mas também não teriam a ilusão do controle.

A maioria das pessoas não sai da infância sem ter muitas experiências de ser ferida por dizer a verdade. Alguém disse: “Você não pode dizer isso”, ou “Você não deveria dizer isso”, ou “Isso não foi apropriado”. 

Como resultado, a maioria de nós tem um condicionamento muito profundo que não é bom ser quem somos. Temos sido condicionados a acreditar que há momentos em que é normal ser verdadeiro e honesto, e há momentos em que não é bom ser.

A maioria dos seres humanos realmente tem uma impressão – não só em suas mentes, mas em seus corpos e suas emoções – que se eles são honestos, se eles são reais, algo ruim vai acontecer. Alguém não vai gostar. Eles não serão capazes de controlar o seu ambiente se eles disserem a verdade.

Porém, dizer a verdade é um aspecto do Despertar. Pode não parecer, porque é muito realizável e muito humano. Não é transcendente. Não se trata de consciência pura, trata-se de como a consciência pura se manifesta como um ser humano de uma maneira não fragmentada. 

Devemos ser capazes de manifestar o que percebemos, e também temos de nos conscientizar e começar a notar as próprias forças dentro de nós que nos impedem de manifestar veracidade em todas as situações.

Quase todas as vezes que faço uma palestra como essa em público, alguém vem até mim mais tarde e diz: “Você sabe aquela conversa que você deu sobre veracidade e honestidade e tudo isso?” – E eu, “Sim, eu lembro da conversa.” 

E vão dizer: “Bem, alguém apareceu no estacionamento mais tarde e decidiu que precisava me contar todas as coisas podres que pensava sobre mim, em nome da honestidade.” E eu meio que balanço minha cabeça. Eu hesito até dar palestras sobre esse assunto, porque é tão fácil de entender mal.

A verdade é um padrão muito alto. A verdade não é um brinquedo. Dizer o que é verdadeiro dentro de nós mesmos não é dizer o que pensamos; não é dizer a nossa opinião. Não é para despejar a lata de lixo de nossa mente para outra pessoa. Tudo isso é ilusão, distorção, projeção.

A verdade não é descarregar nossas opiniões sobre alguém. Isso não é verdade. A verdade não é dizer nossas crenças sobre as coisas. Isso não é verdade. Essas são maneiras que nós realmente nos escondemos da verdade.

A verdade é muito mais íntima do que isso. Quando dizemos a verdade, ela tem o sentido de uma confissão. Eu não dou significado a uma confissão de algo mau ou errado, mas eu expresso o senso de onde nós ficamos completamente fora do esconderijo. 

A verdade é uma coisa simples. 
Falar a verdade é falar de um sentido de vulnerabilidade total e absoluta.

Para dizer a verdade com alguma consistência, não só temos de encontrar cada lugar em nós mesmos que tem medo de dizer a verdade, também temos que ver a estrutura de crenças que temos que nos diz: “Eu não posso fazer isso.” 

Essas estruturas de crença são por sua própria natureza baseadas na irrealidade. Saber isso não é suficiente; você tem que realmente vê-las, para realmente perceber exatamente no que você acredita. 

Quais são as estruturas de crenças exatas que fazem com que você entre na Dualidade, ocasionando você entrar em conflito e se esconder? Só então você pode dizer a verdade da maneira que estou discutindo aqui.

Liberdade é a percepção de que tudo e todos conseguem ser exatamente como são. 

A menos que tenhamos chegado a esse ponto, que isso é como ver a realidade das coisas, então estamos realmente retendo a liberdade do mundo. Estamos vendo isso como uma possessão, e estamos apenas preocupados com nós mesmos. – Como posso me sentir bem? Como posso me sentir livre? 

A verdadeira liberdade é um presente para tudo e para todos. O importante é permitir que o mundo todo Desperte. Parte de permitir que o mundo inteiro Desperte é reconhecer que o mundo inteiro é livre – todos são livres para ser como eles são. 

Até que o mundo inteiro esteja livre para concordar com você ou discordar de você, até que você tenha dado a liberdade para que todos gostem ou não gostem de você, amá-lo ou odiá-lo, ver as coisas como você vê ou ver as coisas de forma diferente, até que você tenha dado ao mundo inteiro a sua liberdade – você nunca terá a sua liberdade. 

Esta é uma parte importante do Despertar, e é uma parte fácil de perder. 

Mais uma vez, se estivéssemos totalmente Despertos, seria impossível perder isso, mas a maioria das pessoas não Desperta totalmente de uma só vez. 

A ideia de liberdade é muito importante, no entanto. Todos conseguem ser como são. Somente quando se permite que todos sejam como são – quando você lhes deu essa liberdade, a liberdade que já possuem -, você encontra dentro de si a capacidade de ser honesto, autêntico e verdadeiro. 

Não podemos ser verdade enquanto aguardamos que outros concordem conosco. Isso nos fará contrair – “talvez eles não gostem do que eu digo; talvez eles não concordem; talvez eles não gostem de mim”. 

Quando estamos nos protegendo, também estamos privando a liberdade de todos os outros. 

Quando percebemos que somos o único Espírito que se manifesta como tudo e todos, na própria natureza dessa realização está a liberdade total para todos. Há um certo destemor nesta realização. 

As pessoas às vezes vêm a mim e dizem: “Bem, Adya, ainda há algum lugar interior” – e, eu acho, que está muitas vezes num lugar na infância – “tenho medo de ser o que eu sei que é verdade”. 

 Claro, eu vou dizer: “Você tem que olhar para ela, para ver você mesmo, como formou certas estruturas de crença com base no que aconteceu no passado. Você tem que olhar para ela e ver se essas estruturas de crença são verdadeiras.

“Mas também, precisamos reconhecer que não temos maneira de saber ou prever como o mundo vai nos receber. Parte de estar Desperto é estar disposto a ser crucificado. Se pensarmos que estar Desperto significa que o mundo inteiro concordará conosco, então estamos em uma ilusão total. Dentro da consciência humana há um tabu profundo que diz que não é certo perceber a verdade do ser. 

Eu não estou falando de fazer a pregação, necessariamente; eu estou falando sobre ser apenas o que você percebe. Este tabu diz: “Isso não está bem. Você será crucificado por isso; você será morto por isso.”

“Naturalmente, em nossa história humana, as pessoas foram mortas por isso. Temos uma longa história em muitas sociedades de se livrar ou matar seres verdadeiramente iluminados, porque a verdadeira iluminação não está de acordo com o “estado de sonho/adormecimento”. 

De fato, muitas vezes o estado adormecido se sente ofendido e ameaçado pela verdadeira iluminação, porque um ser verdadeiramente iluminado não pode ser controlado. Mesmo a ameaça da morte não pode controlar um ser iluminado. Assim, como um ser humano, não podemos ter essas ideias infantis que a iluminação significa “todo mundo me ama”. Talvez todo mundo vai amar você, mas mais provável que alguns vão e outros não. 

Mas quando você dá ao mundo inteiro a sua liberdade, então você faz um longo caminho para encontrar a sua própria liberdade. Estão ligados indissociavelmente, um para o outro.

A coisa mais importante não é que você tente convencer alguém da verdade que você vê. 
O que é realmente importante é que você seja verdadeiro com você mesmo.
Se você pode ser sincero consigo mesmo, então você pode ser sincero com qualquer um.

Não há utilidade real em se tornar excessivamente focado em ser verdadeiro com todos os outros. Embora isso seja necessário, o lugar para começar é com você mesmo – você pode ser totalmente sincero consigo mesmo? 

Você pode ir para aquele lugar que está além da culpa, além do julgamento, além deveria e não deveria?

Você pode ir para aquele lugar que é tão sincero que você não vai se afastar de qualquer parte de si mesmo que ainda está em conflito; você não usará a percepção da verdade para se esconder de algo que sente menor que colocar-se em liberdade? 

É realmente uma questão de sinceridade. Como eu disse, este não é um programa de autoaperfeiçoamento. Uma vez que você descobre o nível de sinceridade e honestidade que estou descrevendo, você descobre que sinceridade e honestidade são manifestações da natureza absoluta do ser.

Ser sincero consigo mesmo pode não ser fácil, inicialmente. Você pode ver coisas sobre si mesmo que você não quer ver. Você pode ver as partes de si mesmo que estão em contraste aparentemente forte com tudo o que você percebeu. No entanto, é aqui que o Despertar se move/avança; o Despertar se move em direção àquilo que não está acordado. 

A sinceridade é o que permite que esse movimento aconteça, e acontece se você é autêntico consigo mesmo. 

Sair completamente fora do esconderijo, estando disposto a ver cada ponto de fixação, cada maneira que você entra na divisão/fragmentação/separação, permite que esta parte da jornada continue. 

Quando isso acontece, você sente seu coração abrindo, sua mente abrindo; você sente abrindo-se em níveis que nunca imaginou possível. Esses níveis não são apenas transcendentes da Humanidade, mas também dentro da sua humanidade, porque não há separação entre seu ser humano e seu ser divino.

Sinceridade é a chave. 

Você tem que estar disposto; você tem que querer ver tudo. 
Quando você quiser ver tudo, você verá tudo.

Muitos estudantes que recebo têm a ideia inconsciente de que a iluminação significa que alguém deve ser capaz de sentir felicidade total, beatitude total e total liberdade em qualquer situação. Esta é uma das crenças inconscientes que muitas pessoas têm sobre o Despertar, e é outra percepção errada. 

Se você acredita na percepção equivocada de que a Iluminação é apenas sobre felicidade, bem-aventurança e liberdade, você será motivado a transcender ou escapar dessas áreas da sua vida que sinta menos do que totalmente funcional/viável.

Mas, mais cedo ou mais tarde, à medida que nos tornamos mais Despertos, descobrimos que há cada vez mais pressão para encontrar e lidar com as áreas de nossas vidas que temos evitado, em que somos menos do que plenamente conscientes.

Eu descobri que muitas pessoas ficam muito assustadas quando começam a perceber onde todo esse movimento de Despertar está movendo-as, que está levando-as para uma área onde elas serão convocadas a serem excepcionalmente honestas e reais e que saem completamente fora do esconderijo. 

Isto é contrário à ideia do Despertar ser simplesmente uma transcendência da vida, a descoberta de um refúgio seguro em alguma experiência interior onde não temos de lidar com a vida como ela é. 

O DESPERTAR É, DE FATO, exatamente o oposto: É UM ESTADO DE SER NO QUAL ENCONTRAMOS A CAPACIDADE DE LIDAR COM NOSSAS VIDAS COMO ELAS REALMENTE SÃO. 

Mas como eu disse, muitas pessoas têm medo dessa parte do processo, porque exige que saiamos do esconderijo em cada nível (todos). ” ~ Adyashanti, O Fim do seu Mundo

Sair do esconderijo – e ser sincero consigo mesmo – pode ser particularmente desafiador para as pessoas que predominantemente VIVEM EM SUAS MENTES (presas no ASPECTO MASCULINO DA CONSCIÊNCIA). 

Esta personalidade possui um intelecto forte que tem a capacidade de racionalizar e autojustificar tudo (incluindo a elaboração de uma personalidade exterior inteligente), especialmente em relação às mentiras decorrentes da personalidade falsa – também

TEM UMA TENDÊNCIA A FICAR PRESA NA ANÁLISE – PARALISIA , SENDO INCAPAZ DE RECONHECER QUALQUER COISA “ACIMA / ALÉM” DE SI MESMA, ou seja, a inteligência superior do Divino e Espírito. 

Presas em laços dominantes do pensamento e na mente racional, a Porta para o Divino é, portanto, fechada – elas são reduzidas/desunidas/ fragmentadas para dentro da prisão da “mente do macaco”. 

O mecanismo subjacente por trás desse comportamento é, na verdade, o medo inconsciente, decorrente da identificação do ego. 

Medo da perda de controle. Medo de entrega ao fluxo da vida/Tao (com o resultante medo ilusório do caos) que é baseado no medo da Natureza (O ASPECTO FEMININO DA CONSCIÊNCIA) e, essencialmente, o medo do Amor verdadeiro e da Liberdade. 

Também se liga ao medo de ser “insignificante”, medo de não ser “forte” (medo de parecer como “fraco”), medo de “não saber” ( essencialmente “do desconhecido”) e medo de como os outros nos percebem se nos abrimos para expressões mais profundas e autênticas de humildade e vulnerabilidade.

“UM HÁBITO PERIGOSO ESTÁ NUMA AUTOJUSTIFICAÇÃO CONSTANTE. 

Quando isto se torna forte no buscador, é impossível transformá-lo nesta parte do ser para a consciência e ação corretas, porque a cada passo sua preocupação é justificar-se. Sua mente se apressa imediatamente para manter sua própria ideia, sua própria posição ou seu próprio curso de ação. 

Ele está pronto para criar qualquer tipo de argumento, às vezes o mais desajeitado e tolo ou inconsistente com o que contestou momento antes [mas não óbvio para ele], por qualquer tipo de declaração ou qualquer tipo de mecanismo. 

Este é um mau uso comum, mas não inferior a um mau uso da mente pensante; porém, leva-lhe proporções exageradas e enquanto ele se mantiver a ela, será impossível para ver ou viver a Verdade.” ~ Sri Aurobindo, O Yoga Integral”

“Se o homem não aceitar sua situação e, em particular, o seu Interior, como lhe parece, graças a breves iluminações da consciência do verdadeiro “eu” – se ele for obstinado contra toda evidência, justificando sua Personalidade protegendo-se por trás da lógica, da legitimidade e da justiça, ele então virará as costas à vereda Do Acesso, e empurrou-se ainda mais no deserto. 

Ninguém pode alcançar a vereda do Acesso ao Caminho [da união com o Divino], sem antes passar por uma falência interior; um colapso moral [desilusão/desencantamento]. ” – Boris Mouravieff, Gnosis

CONTINUA…  (A VIDA COMO UM CATALISADOR E PROFESSOR)

Por favor, respeite os créditos ao compartilhar

DE CORAÇÃO A CORAÇÃO – http://www.decoracaoacoracao.blog.br

DE CORAÇÃO A CORAÇÃO – https://lecocq.wordpress.com

https://veilofreality.com/2017/01/29/the-perilous-path-towards-awak…

Tradução Vilma Capuano – vilmacapuano@yahoo.com.br

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