A ESCRAVIDÃO DO ENDIVIDAMENTO

 

 

Hoje pela manhã, bem cedinho, me surgiu uma idéia muito insistente. Já quando, a tarde se transformava numa noite iluminada pelo Cruzeiro do Sul, lá vem mais uma vez, a mesma idéia.

Na organização social e econômica desta humanidade, já ao nascer nos tornamos endividados. Quem vem, via nascimento, já provoca um burburinho quanto aos preparativos, para recebê-lo. Antes, muitos antes, a expectativa seria apenas de que o novo rebento, independentemente de ser homem ou mulher, viesse com muita saúde e, consequentemente perfeito!

O conglomerado social na atualidade, já não mais se comporta assim. Querem logo saber se o herdeiro será menino ou menina. O fato de conhecer antecipadamente o sexo do futuro herói ou heroína, de certa forma agrada ou desagrada. Eis, portanto, a primeira contradição! De certa forma, materialmente falando, tudo irá acontecer dentro de um contexto, muito específico, no tocante as roupas, aos brinquedos, a cor do quarto e outros preparativos,  inclusive, a sua profissão num futuro bem distante.

Concomitantemente, estamos amarrados, acorrentados ao chamado conforto do modernismo! A água corre serena nos rios! O Sol nos ilumina todos os dias! Os ventos sopram independentemente da nossa vontade e/ou previsão! As partículas atômicas cumprem religiosamente a sua função expansionista, sem a interferência de quem quer que o seja! A distância entre dois pontos, continua imutável! A força da gravidade se pronuncia de forma irrepreensível! E assim sucessivamente.

Num determinado instante, alguém descobre que barrando um rio, a água acumula. Se a água está acumulada, imagina rodando um eixo e gerando energia! Eureka! Muito bem. Mas, um certo esperto, logo imagina a claridade permanente, as máquinas, motores e equipamentos; o conforto, que isto pode ocasionar. Daí, usa isto de forma lucrativa. Pronto. Assim nasce o nosso endividamento. Nos tornamos reféns de um recurso natural, apenas domado e, devemos para acessá-lo pagar! Tudo bem, mas, o valor é justo? Ou estamos sendo extorquidos, pela ganância exagerada?

Se extrapolarmos para uma maior amplitude – a coisa complica! Quanto mais vivemos, mais devemos! É uma conta impagável. A isto nós poderíamos julgar como sendo um princípio de uso universal, ou apenas uma forma de satisfazermos a ciranda financeira?

Assim, todos os dias vemos levas e mais levas de nossos irmãos jogados na condição de miseráveis! A vida se transforma na emissão de um cheque sem fundos! O princípio do consumismo sem freio e ou limitações, contagia a todos! Assim, a vida vai se transformando num pedestral de desigualdades. Poucos conseguem tais vicissitudes; enquanto que aqueles que não alcançam são considerados frustados e vencidos. É claro que o julgamento é puramente materialista. Grande porcaria!

A nossa essência é muito específica. A nossa sabedoria é um dom intransferível. E assim, também deverá ser a nossa missão. Os valores que acumulamos só nós os conhecemos e podemos multiplicá-los. Muitos mártires do passado, mesmo advindo de famílias “pobres” se transformaram em revolucionários perfeitos. Desafiaram Reis e Leis, usando apenas o campo do conhecimento, da sabedoria e do exemplo de bondade, humildade e senso de justiça.

A humanidade está cheia de histórias brilhantes destes profetas, destes formuladores de novos paradigmas, onde o campo de batalha está ferrado e imaculado, dentro de cada um de nós. Não quero e nem devo, com isto, me colocar contra – o desenvolvimento! Nunca, mas, porém, contudo e todavia, tenho absoluta certeza que este modêlo não leva ninguém para a emancipação do espírito; mas, sim, o torna escravo do endividamento, coisa inventada pelo dualismo. Rico ou pobre!

Tem uma música que diz: Eu vejo um novo começo de ERA, com gente fina, elegante e sincera. Com habilidade, prá dizer ao mundo que não! Eu quero crer no amor, numa boa. E isto valha prá qualquer pessoa…

Eis, no que acredito. Eis, a minha expectativa para o advento dos novos tempos! Ser parte de uma sociedade igualitária, humanística dentro da lógica associativista.

 

Abraços afetuosos e corajosos.

 
LUIZ SOARES

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s