EVIDÊNCIAS…

 

 
Por que tanto ceticismo quando abordamos um tema que envolva a alma e o espírito?

Seria o Medo? A Indiferença? A Indecisão? Ou o desconhecimento da religiosidade?

Sou católico e fui educado num Colégio Marista. Pertencia a Cruzada Eucarística, ajudei a missa em latim, participei do “lava pé”, toquei matraca durante a semana santa, além de ser parte das festividades paroquiais.

Minha saudosa mãe Djanira começou a ter crises de saúde; e, após viajar para os principais centros médicos do Brasil, foi aconselhada a mudar de ares, em termos de residência. Morávamos num bairro de Maceió – Vergel do Lago e fomos morar no Trapiche da Barra, local onde está construído o estádio de futebol – Rei Pelé.
 
Nesta transição existencial passei a conviver no mundo dos pescadores artezanais. Uma realidade diametralmente oposta, em todos os sentidos, comparativamente aquela onde vivia. Pessoas “pobres”, humildes, laboriosas, criativas, fortes, intuitivas e muito felizes. O ambiente do lar era assustador, se comparado com o “status” que fui criado. Tive muitos problemas de adaptação, até porque era considerado um ser de outro planeta.
 
Com eles aprendi a remar, a nadar, a caçar, a mergulhar, enfim, me tornei um naturalista de carteirinha. Além destes aprendizados, também fui obrigado a fazer exercícios, tentando fortalecer o corpo e deixando que a mente, por desejo próprio me transformasse num atleta. Assim, passei em poucos dias a conviver com os fortes, tal foi o meu esforço, para me tornar um deles.
 
Certo dia, ao assistir a missa na capela do Colégio Marista, fui indicado para comentar um trecho do Evangelho. O tema era a pobreza e a felicidade. Instantaneamente me vi situado, no seio daquela comunidade, vendo as pessoas, condições de vida e a felicidade. Com este quadro vivo, iniciei a minha oratória, afirmando que não acreditava naquilo que estava escrito. Foi um Deus nos acuda. Então um irmão Marista de nome Máximo, veio em meu socorro pedindo que explicasse aquela posição.
 
Primeiro o tal de pecado original; e, segundo só teríamos uma oportunidade como inquilinos desse planeta. Se era assim que teríamos de acreditar e nos comportar, estava tudo errado. Como admitir que alguns vivam como reis e uma grande maioria viva como plebeus? Como admitir um ser humano vir ao mundo morto? Outros com sérios defeitos, levando-os a uma vida desgraçada? Justiça ou castigo? Amor ou condenação?

Tanto o tema, como os meus argumentos foram imediatamente rechaçados por todos que alí se encontravam. Notei, que existia um “medo” até, de certa forma – fanático! O Deus deles era totalmente inacessível e, por isso não devíamos questioná-lo, sob pena de sermos punidos. Aí, então comecei a olhar a minha condição de “filho”, de uma forma completamente diferente. Para concluir o entrave, o mesmo irmão Marista, veio mais uma vez em meu socorro e me fez o seguinte comentário: Luiz o que você procura não vai encontrar aqui, entre nós. Você deve procurar dentro de você! Sábias palavras.
 
Passei muitos anos na condição de agnóstico. Procurava na natureza a essência e a razão para acreditar em Deus. Andei no mangue, nas praias, nas matas, nos rios, riachos, tabuleiros e pradarias. Admirei o nascer do Sol e a sua despedida todos os dias. Andava de ônibus, de bonde, de carro, de cavalo, de bicicleta e, até mesmo a pé. Sempre observando o ambiente e como as pessoas se comportavam. O semblante, os gestos, as atitudes, enfim, o que éramos de fato e de direito.
 
Após muitos anos nesta peregrinação, eis que surge um momento que modificou a minha dúvida. Ao conhecer um senhora de nome Adalgisa, que ao me ver falou: Meu Filho! Foi uma saudação tão amorosa que estremeci instantâneamente. Ao chegar na fazenda de sua propriedade, fomos recebidos por uma de suas filhas que se chamava Marlene. A mesma, sem que e nem porque, ao me ver disse: Taí mamãe o teu filho! Naquele momento fiquei altamente encucado.
 
Foi através destes encontros que conheci os fundamentos da Doutrina Espírita. Encontrei um Deus puro, amigo, simples, humilde, esclarecedor e altamente compreensivo. Evoluindo com as minhas leituras, pude conhecer um grande amigo de nome Rakan, na condição de meu guia; e, através dele muitos outros “anjos”. Entendi o que é o “livre arbítrio” e o karma, ou dívidas do passado. Compreendi que o corpo é apenas uma máquina perfeita, de modo a que possamos expandir a mente e nos tornarmos espíritos integrantes da LUZ.
 
Resumindo, encontrei o porque da vida. Entendi que somos muito mais do que simples seres que se deixam manipular, ou ser convencidos a acreditar em verdades abstratas, inoportunas, que nos colocam sempre na condição de vítimas, de pobres coitados. Constatei que devemos lutar pelos nossos ideais e objetivos e, deixar ao largo a condição do conformismo. Aboli o se Deus quiser; é uma vontade de Deus; e, passei a admitir que: quando o homem deseja Deus ajuda! Faz que Deus nos ajudará! Naturalmente que tais verdades só servem quando estamos cumprindo o maior dos mandamentos, qual seja: Amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a tí mesmo!

Me tornei poeta, escritor, palestrante, pregador, sem que fosse necessário alardear tais virtudes. Tudo acontece dentro de um momento, não importando onde esteja e com quem esteja. Me tornei um melhor amigo, um bom esposo; e, segundo os meus quatro filhos, um bom e justo Pai. Como professor universitário e produtor rural, também senti e ainda sinto que algo aconteceu e continua acontecendo. No campo olho as estrela numa noite colorida, de forma diferente, ou seja, me sentindo parte deste universo sem limites e ou fronteiras.
 
Vivi fatos e acontecimentos que não sabia discernir; sendo que hoje, me enquadro perfeitamente, dentro das tantas indagações, que matraqueavam na minha cabeça. Assim, posso me considerar um discípulo fiel e autêntico do Amor Divino. Posso me comportar como parte de um processo que nos dá a condição de sermos úteis a todos.
 
Muito poderia escrever e relatar; mas, de fato e de direito, acho que o relato que ora apresento, pode servir para que alguém como eu, sinta e comprove a nossa verdadeira missão. Somos parte, pertencemos ao todo. Somos íntimos e não complemento da verdade maior, dessa odisséia celestial, que nos deu a condição de sermos eternamente: disciplinados, dedicados e determinados, quando da construção do bem e do AMOR comum.

Ao concluir, um pequeno trecho, de uma das poesias publicadas “Partirei, mais deixarei depositado todos os meus inúmeros desejos, neste quarto de despejo onde um dia eu vivi”. E mais uma outra verdade que aprendi e publiquei – “Nasci nú, vim ao mundo chorando…Apenas com um detalhe, vim chorando mas partirei nú e sorrindo”.

Eis, portanto as minhas evidências, de um homem real, neste momento tão oportuno para todos nós; e, porque não dizer, para a nossa humanidadade.

 

 
Abraços afetuosos.

 

 Luiz Soares.